
O delegado federal José Navas Júnior é o alvo principal da Operação Sinon, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (19) pela suspeita de usar seu cargo na PF para vazar investigações da própria corporação e proteger criminosos em troca de propina. O esquema de corrupção envolvendo as informações sigilosas resultou no cumprimento de oito mandados de busca e apreensão em São Paulo e no Rio Grande do Sul.
A operação autorizada pela 1ª Vara Federal da Justiça Federal em Marília/SP ainda executou bloqueio e sequestro de bens do delegado, que teve suspenso o exercício da função pública. E José Navas Júnior foi proibido de acessar as dependências, os sistemas e os recursos tecnológicos da Polícia Federal.
“As investigações apontam que, desde 2023, um delegado de Polícia Federal teria utilizado sua função e o acesso a sistemas corporativos da instituição para realizar consultas direcionadas a pessoas e a procedimentos sob investigação. As informações obtidas seriam posteriormente repassadas a investigados, possibilitando a adoção de medidas destinadas a dificultar ou frustrar as diligências policiais”, detalhou a PF.
Em 2015, a CPI da Petrobras chegou a pressionar Navas Júnior para que revelasse se teria participado de interceptações de mensagens de investigados da Operação Lava Jato. O delegado fez parte do grupo de policiais federais que viajaram ao Canadá, em 2012, para especialização em armazenamento de dados resultantes de interceptações autorizadas pela Justiça.
O delegado pode responder processo penal, caso suas condutas sejam configuradas como crimes de violação de sigilo funcional, corrupção passiva e ativa, associação criminosa e embaraço à investigação de organização criminosa.
A PF informou ainda que segue investigando o caso, para identificar todos os envolvidos, esclarecer a origem e a destinação dos recursos movimentados e dimensionar os danos provocados às investigações policiais afetadas. Com informações do Diário do Poder.
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