
O cirurgião plástico brasileiro João Batista Cunha de Araújo, de 57 anos, desapareceu nos Estados Unidos três dias antes do julgamento em que responderia a 14 acusações relacionadas à atuação médica e a procedimentos estéticos supostamente ilegais. Segundo informações divulgadas pelo New York Post, o médico rompeu a tornozeleira eletrônica na manhã de 1º de agosto e teria deixado o país. O julgamento estava marcado para 4 de agosto, na Flórida.
O cirurgião plástico, atuava no Brasil, mas se mudou para os EUA e não tirou a revalidação obrigatória e começou a atuar de forma ilegal. Araújo e sua esposa brasileira Amanda Soares Felizardo Ungaro, de 40 anos, foram indiciados em julho de 2025, por exercício ilegal da medicina, furto qualificado e esquema fraudulento.
Segundo a investigação, os dois teriam faturado milhões de dólares com procedimentos estéticos realizados em uma clínica em Aventura, incluindo lipoaspiração, aplicações de Botox e preenchimentos. Amanda ganhou repercussão no pais norte-americano por criticar a primeira-dama, Melania Trump. Amanda também é ex-companheira de Paolo Zampolli — enviado especial de Donald Trump para parcerias globais.
Quem é João AraújoFormado em Medicina pela Universidade Federal de Juiz de Fora entre 1989 e 1995, Araújo fez residência no Hospital Universitário Clementino Fraga Filho, no Rio de Janeiro. Ele é membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e possui título de especialista pela entidade. O Correio apurou que o médico mantém registro ativo como cirurgião plástico no Brasil.
Nos Estados Unidos, porém, segundo a investigação, Araújo não possuía autorização para exercer medicina. Mesmo assim, teria realizado procedimentos e aparecia nas próprias redes sociais executando intervenções em pacientes.
Denúncias e pacientes
A investigação começou após denúncias feitas à polícia de Aventura por meio do Crime Stoppers — programa comunitário global que permite às pessoas fornecerem informações sobre crimes e atividades suspeitas de forma 100% anônima. As informações apontavam que Araújo administrava um consultório médico sem licença na Northeast 214th Street.
Em janeiro, policiais disfarçados procuraram a clínica do médico interessados em realizar uma lipoaspiração. Segundo o relato policial, Araújo explicou o procedimento e ainda sugeriu um medicamento para emagrecimento.
Amanda, apontada como responsável pela parte administrativa da clínica, cuidava de agendamentos e da aquisição de medicamentos. Vídeos encontrados no celular dela também mostrariam a brasileira aplicando injeções em um paciente sob orientação de Araújo e realizando um procedimento a laser.
Uma das pacientes citadas na investigação teria recebido 17 aplicações de Botox de uma só vez. Dias depois, apresentou um grande nódulo no lábio e endurecimento em outras regiões. Ela teria pago US$ 7 mil pelo tratamento, após um desconto sobre o orçamento inicial de US$ 15 mil.
Médico continua aparecendo nas redes sociais
Apesar de jornais norte-americanos tratarem Araújo como fugitivo, o médico continua aparecendo nas redes sociais. Em vídeos publicados pela esposa, o médico aparece ao lado dela tomando café, enquanto também mantém atividade nas redes.
Quatro fontes ouvidas pelo New York Post afirmaram acreditar que Araújo tenha retornado ao Brasil. Uma delas disse ter conversado com o médico após seu suposto retorno. A Embaixada do Brasil em Washington, porém, afirmou não ter informações sobre o paradeiro dele.
O advogado de Araújo, Mark Eiglarsh, também declarou ao jornal que desconhece onde o cliente está. As acusações contra o médico ainda são alegações e não resultaram em condenação. Com o desaparecimento, as autoridades americanas agora tentam localizar Araújo e definir os próximos passos do processo.
O Correio entrou em contato com o número de telefone associado à clínica do médico para solicitar um posicionamento sobre as acusações. Até a publicação não houve retorno.








