
Os consumidores que procuram se alimentar de forma mais equilibrada, especialmente, os usuários de canetas emagrecedoras, têm encontrado nos restaurantes por quilo uma alternativa que une praticidade, economia e liberdade para montar suas refeições na medida certa. A tendência é percebida pelo setor de alimentação. Um levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostra que 61% dos empresários do país identificaram um aumento da busca por porções menores, refeições mais leves e maior consumo de proteínas e saladas.
A pesquisa nacional revela que 56% dos estabelecimentos registraram queda nos pedidos de pratos principais e à la carte, enquanto 65% observaram mudanças no consumo de sobremesas. Além disso, 64% dos empresários identificaram aumento na procura por porções menores e por pratos compartilhados. Nesse cenário, os restaurantes a quilo passaram a atender de forma mais completa o novo perfil de consumidor, que monta as próprias refeições e paga apenas pela quantidade que comeu.
Após emagrecer 23kg com acompanhamento médico e uso da medicação, Aline Medina, farmacêutica, 38 anos, alterou completamente a relação com a alimentação e passou a priorizar os restaurantes por quilo. "Mudei o pensamento sobre a alimentação. Hoje consigo fazer escolhas positivas. Não vou mais em rodízio como ia muito antes. Escolho essa modalidade porque compensa no valor e escolho exatamente aquilo que quero comer", afirmou.
Além da perda de peso, a farmacêutica destacou que os novos hábitos trouxeram benefícios permanentes para si. "Mudou toda a minha vida, a autoestima, a segurança, meus filhos perceberam essa mudança, meu joelho parou de doer e hoje consigo praticar mais atividade física. O tratamento funciona, mas a alimentação é fundamental", enfatizou Aline.
Comércio
Nos restaurantes, a pesquisa tem se confirmado no dia a dia. Na 702 Norte, o proprietário do Varanda do Sul, Luciano Silva Rabaioli, 42, afirmou que a redução no peso dos pratos e a procura por carnes, por exemplo, se tornaram frequentes. "Temos notado uma diminuição no peso dos pratos e uma procura maior por proteínas. Tivemos até que criar uma precificação diferenciada para os pratos com maior quantidade de proteína para não precisar aumentar o preço para todo mundo", explicou.
Segundo Rabaioli, alguns clientes antigos mudaram completamente os hábitos alimentares. "Tem vários fregueses que emagreceram bastante. Antes comiam cerca de 600 gramas e hoje comem entre 300 e 400 gramas, quando muito. O que a gente percebe no caixa é justamente essa redução no peso dos pratos", destacou.
Para acompanhar esse novo perfil, o restaurante ampliou a oferta de opções saudáveis. "Colocamos mais variedades de saladas e outras opções leves no buffet. Nosso forte continua sendo a proteína, principalmente o churrasco, mas buscamos oferecer mais alternativas para atender essa demanda", disse Luciano.
No restaurante Paladar, na 303 Norte, a percepção é semelhante. Leatriz Paz Lopes, 52, afirmou que muitos clientes fazem questão de informar que utilizam as canetas emagrecedoras. "Eles falam: 'Estou usando a caneta, por isso estou comendo pouco'. Na nossa pizzaria também percebemos isso. Antes o cliente comia uma pizza grande, mas hoje pede apenas uma brotinho", contou.
A empresária disse que entre 20% e 30% dos clientes apresentam esse novo comportamento. "Hoje preparamos mais saladas e menos comida. Temos 12 tipos de saladas e percebemos que elas são as campeãs de saída, enquanto o consumo de carboidratos caiu bastante", relatou. "Até os clientes antigos sugerem novas saladas porque mudaram completamente a alimentação", acrescentou.
No Tarumã Restaurante, na quadra 6 do SIG, o gerente Jaider Ribeiro ressaltou que a preferência pelo buffet cresceu até mesmo entre clientes que poderiam economizar escolhendo pratos prontos. "Mesmo quando mostramos que um prato para duas pessoas pode sair mais barato, muitos preferem o buffet porque conseguem colocar exatamente a quantidade que vão comer. Essa é a modalidade do momento", afirmou.
Segundo Jaider, a mudança também alterou a composição do buffet. "Hoje, montamos uma ilha exclusiva de saladas para que cada pessoa faça sua combinação. Se observar os pratos, verá pequenas porções de legumes, verduras e ovos, enquanto as frituras perderam bastante espaço nas bancadas", pontuou.
Saciedade
A nutricionista Paula Uessugue, professora do Centro Universitário Uniceplac, explicou que a mudança é consequência direta da ação dos remédios no organismo. "Esses medicamentos atuam nos mecanismos que regulam o apetite e a saciedade. A pessoa sente menos fome, passa a preferir refeições menores e reduz naturalmente o consumo de alimentos", detalhou.
De acordo com a especialista, os restaurantes por quilo proporcionam uma alimentação mais equilibrada e com mais variedade. "O consumidor consegue montar um prato variado, com verduras, legumes, proteínas magras e carboidratos de melhor qualidade, além de colocar exatamente a quantidade que precisa. Isso reduz excessos e também evita desperdícios", enfatizou.
Apesar dos benefícios, a nutricionista alertou que o tratamento exige acompanhamento profissional. Segundo ela, "a medicação não substitui a educação nutricional. O paciente precisa ser acompanhado por médico e nutricionista para garantir o consumo adequado de proteínas, fibras, vitaminas e minerais e evitar deficiências nutricionais durante o processo de emagrecimento." Com informações do Correio Braziliense.
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