sábado, 25 de julho de 2026

Restaurantes a quilo sofrem os efeitos das canetas emagrecedoras

Restaurantes a quilo sofrem os efeitos das canetas emagrecedoras

Os consumidores que procuram se alimentar de forma mais equilibrada, especialmente, os usuários de canetas emagrecedoras, têm encontrado nos restaurantes por quilo uma alternativa que une praticidade, economia e liberdade para montar suas refeições na medida certa. A tendência é percebida pelo setor de alimentação. Um levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) mostra que 61% dos empresários do país identificaram um aumento da busca por porções menores, refeições mais leves e maior consumo de proteínas e saladas.

A pesquisa nacional revela que 56% dos estabelecimentos registraram queda nos pedidos de pratos principais e à la carte, enquanto 65% observaram mudanças no consumo de sobremesas. Além disso, 64% dos empresários identificaram aumento na procura por porções menores e por pratos compartilhados. Nesse cenário, os restaurantes a quilo passaram a atender de forma mais completa o novo perfil de consumidor, que monta as próprias refeições e paga apenas pela quantidade que comeu.

Após emagrecer 23kg com acompanhamento médico e uso da medicação, Aline Medina, farmacêutica, 38 anos, alterou completamente a relação com a alimentação e passou a priorizar os restaurantes por quilo. "Mudei o pensamento sobre a alimentação. Hoje consigo fazer escolhas positivas. Não vou mais em rodízio como ia muito antes. Escolho essa modalidade porque compensa no valor e escolho exatamente aquilo que quero comer", afirmou.

Além da perda de peso, a farmacêutica destacou que os novos hábitos trouxeram benefícios permanentes para si. "Mudou toda a minha vida, a autoestima, a segurança, meus filhos perceberam essa mudança, meu joelho parou de doer e hoje consigo praticar mais atividade física. O tratamento funciona, mas a alimentação é fundamental", enfatizou Aline.

Comércio
Nos restaurantes, a pesquisa tem se confirmado no dia a dia. Na 702 Norte, o proprietário do Varanda do Sul, Luciano Silva Rabaioli, 42, afirmou que a redução no peso dos pratos e a procura por carnes, por exemplo, se tornaram frequentes. "Temos notado uma diminuição no peso dos pratos e uma procura maior por proteínas. Tivemos até que criar uma precificação diferenciada para os pratos com maior quantidade de proteína para não precisar aumentar o preço para todo mundo", explicou.

Segundo Rabaioli, alguns clientes antigos mudaram completamente os hábitos alimentares. "Tem vários fregueses que emagreceram bastante. Antes comiam cerca de 600 gramas e hoje comem entre 300 e 400 gramas, quando muito. O que a gente percebe no caixa é justamente essa redução no peso dos pratos", destacou.

Para acompanhar esse novo perfil, o restaurante ampliou a oferta de opções saudáveis. "Colocamos mais variedades de saladas e outras opções leves no buffet. Nosso forte continua sendo a proteína, principalmente o churrasco, mas buscamos oferecer mais alternativas para atender essa demanda", disse Luciano.

No restaurante Paladar, na 303 Norte, a percepção é semelhante. Leatriz Paz Lopes, 52, afirmou que muitos clientes fazem questão de informar que utilizam as canetas emagrecedoras. "Eles falam: 'Estou usando a caneta, por isso estou comendo pouco'. Na nossa pizzaria também percebemos isso. Antes o cliente comia uma pizza grande, mas hoje pede apenas uma brotinho", contou.

A empresária disse que entre 20% e 30% dos clientes apresentam esse novo comportamento. "Hoje preparamos mais saladas e menos comida. Temos 12 tipos de saladas e percebemos que elas são as campeãs de saída, enquanto o consumo de carboidratos caiu bastante", relatou. "Até os clientes antigos sugerem novas saladas porque mudaram completamente a alimentação", acrescentou.

No Tarumã Restaurante, na quadra 6 do SIG, o gerente Jaider Ribeiro ressaltou que a preferência pelo buffet cresceu até mesmo entre clientes que poderiam economizar escolhendo pratos prontos. "Mesmo quando mostramos que um prato para duas pessoas pode sair mais barato, muitos preferem o buffet porque conseguem colocar exatamente a quantidade que vão comer. Essa é a modalidade do momento", afirmou.

Segundo Jaider, a mudança também alterou a composição do buffet. "Hoje, montamos uma ilha exclusiva de saladas para que cada pessoa faça sua combinação. Se observar os pratos, verá pequenas porções de legumes, verduras e ovos, enquanto as frituras perderam bastante espaço nas bancadas", pontuou.

Saciedade
A nutricionista Paula Uessugue, professora do Centro Universitário Uniceplac, explicou que a mudança é consequência direta da ação dos remédios no organismo. "Esses medicamentos atuam nos mecanismos que regulam o apetite e a saciedade. A pessoa sente menos fome, passa a preferir refeições menores e reduz naturalmente o consumo de alimentos", detalhou.

De acordo com a especialista, os restaurantes por quilo proporcionam uma alimentação mais equilibrada e com mais variedade. "O consumidor consegue montar um prato variado, com verduras, legumes, proteínas magras e carboidratos de melhor qualidade, além de colocar exatamente a quantidade que precisa. Isso reduz excessos e também evita desperdícios", enfatizou.

Apesar dos benefícios, a nutricionista alertou que o tratamento exige acompanhamento profissional. Segundo ela, "a medicação não substitui a educação nutricional. O paciente precisa ser acompanhado por médico e nutricionista para garantir o consumo adequado de proteínas, fibras, vitaminas e minerais e evitar deficiências nutricionais durante o processo de emagrecimento." Com informações do Correio Braziliense.

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