quinta-feira, 29 de outubro de 2026

"Ala da direita que repudia os atos antidemocráticos do bolsonarismo ajudou a reeleger Lula", analisa José Nivaldo Júnior

"Ala da direita que repudia os atos antidemocráticos do bolsonarismo ajudou a reeleger Lula", analisa José Nivaldo Júnior

Em comentário no programa Cidade em Foco, da Rede Pernambuco de Rádios, o analista político José Nivaldo Júnior citou múltiplos fatores para destrinchar o resultado do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Ao contrariar institutos de pesquisa e prognósticos, Lula (PT) conseguiu a reeleição e derrotou nas urnas o senador Flávio Bolsonaro (PL) em um movimento de virada histórico, levando-se em consideração a previsão por parte da maioria dos levantamentos de intenção de votos divulgados.

No primeiro turno, Flávio obteve 56.104.503 votos (47,03%) e Lula registrou 53.879.538 (45,16%), a menor diferença em uma eleição desde a redemocratização. Já no segundo turno, a diferença entre os dois praticamente dobrou, com uma vantagem de 4.392.907 votos para Lula, que obteve 64.256.232 votos (51,79%), enquanto Flávio ficou com 59.826.041 (48,21%).

Segundo José Nivaldo, observou-se uma mudança de postura por parte da campanha de Lula do primeiro para o segundo turno, quando teria "descido do sapato alto e reorganizado as estratégias".

"A partir da segunda etapa quem subiu nesse sapato alto foi Flávio, que passou a se considerar vencedor, inclusive apontando cargos em ministérios", ponderou. "Por outro lado, apesar de não ter demitido ninguém, Lula fez substituições, mudou o time e o ritmo da campanha. E aí a banda andou".

Já em relação aos apoios dos ex-adversários Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo), Augusto Cury (Avante) e Renan Santos (Missão), o comentarista observou que a campanha de Flávio Bolsonaro teria errado ao achar que os quase 10 milhões de votos seriam automaticamente atraídos.

"E não foi isso que aconteceu. Basta olharmos o resultado para entender que as pessoas que votaram nesses candidatos não o fizeram por rejeição a Lula, mas por não querer eleger Flávio. A parcela da direita que não aceita os atos antidemocráticos da família Bolsonaro foi fundamental para reeleger Lula. A isso soma-se a queda no número de abstenções e votos nulos no segundo turno, um movimento que não conseguiu ser captado pelos institutos de pesquisa", destacou José Nivaldo.

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