
O advogado Delmiro Campos condicionou a crescente morosidade no ambiente eleitoral à falta de um debate propositivo em detrimento a brigas políticas e propagação de fake News. Em entrevista ao Blog do Alberes Xavier e à Rede Pernambuco de Rádios, disse que o eleitor encontra-se cansado diante de uma guerra de narrativas que pouco tem a ver com o dia a dia da população.
"Hoje nós vemos, em âmbito nacional, por exemplo, uma eleição onde não sabemos se o Supremo Tribunal Federal (STF) quer pautar a disputa para a Presidência da República, ou se a corrida presidencial quer pautar o Judiciário. Na minha opinião, o que o eleitor quer é um debate com menos desinformação e mais propostas. O que nós, enquanto eleitores, queremos ouvir, é uma discussão sobre temas que trarão melhorias para o nosso dia a dia", destacou Delmiro.
Perguntado sobre o papel do Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) na garantia da lisura e da isonomia do pleito que se avizinha, o advogado enalteceu o desempenho da corte, que, segundo ele, tem interferido "o mínimo possível" no andamento do processo.
"O TRE tem feito um trabalho belíssimo, se mantendo isento e imparcial, analisando caso a caso e proferindo decisões sempre muito bem fundamentadas, buscando a coerência e transmitindo à população a sensação de que, de fato, contamos com a devida segurança jurídica", analisou.
Sobre a crise institucional instalada no STF a partir dos desdobramentos do caso Master, Delmiro defendeu a atuação da presidente da seccional pernambucana da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE), Ingrid Zanella, que, recentemente, em reunião em Brasília com o presidente da corte, o ministro Edson Fachin, cobrou uma apuração rigorosa e independente sobre os fatos.
"Ingrid vem levantando o tom de voz de forma muito altiva, combatendo tudo aquilo que entende como nefasto à democracia. De fato, essa crise instalada no Supremo precisa ser estancada. Hoje, a sensação que se instalou na sociedade é que o ministro A torce para Lula e o ministro B para Bolsonaro, e isso é muito ruim. Por isso a importância de o presidente Fachin convocar uma sessão plenária para, como se diz no popular, lavar a roupa suja", pontuou.
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