terça-feira, 1 de setembro de 2026

Mendonça cobra PGR sobre mensagem de Vorcaro a Moraes que cita ‘proteção’ de Gonet e Andrei

Mendonça cobra PGR sobre mensagem de Vorcaro a Moraes que cita ‘proteção’ de Gonet e Andrei

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, pediu à Procuradoria-Geral da República informações complementares sobre uma mensagem de WhatsApp em que Daniel Vorcaro afirma precisar da “proteção” do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do procurador-geral da República, Paulo Gonet. Relatório da PF indica que o destinatário da mensagem era Alexandre de Moraes. a informação foi noticiada pela jornalista Andreza Matais, colunista do Metropoles.
Os três citados na comunicação — Moraes, Gonet e Andrei — figuram entre os participantes da degustação de whisky Macallan realizada em 25 de abril de 2024 no George Club, em Mayfair, Londres. O encontro, paralelo ao 1º Fórum Jurídico Brasil de Ideias patrocinado pelo Banco Master, custou US$ 640.831,88 (cerca de R$ 3,2 milhões na cotação da época) e reuniu cerca de 40 pessoas.

Moraes confirmou a confraternização em sessão reservada do STF: “Nesse encontro [em Londres], vários estávamos lá. Eu estava lá. Andrei Rodrigues estava lá. Depois fomos todos juntos a um pub, tomamos Macallan.” Listagens baseadas em documentos enviados à CPMI do INSS incluem também Paulo Gonet.

Contrato de R$129 milhões
Em janeiro de 2024, o Banco Master firmou contrato com o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, do qual são sócios Viviane Barci de Moraes — esposa do ministro — e os filhos do casal. O acordo previa 36 parcelas mensais de cerca de R$ 3,6 milhões, totalizando R$ 129 milhões até o início de 2027, caso cumprido integralmente. O objeto era amplo: atuação estratégica, consultiva e contenciosa perante o Judiciário, o Ministério Público, a Polícia Federal, o Banco Central, a Receita Federal, a PGFN, o Cade e o Congresso.

Mensagens extraídas do celular de Vorcaro mostram que Viviane Barci enviou a minuta diretamente ao banqueiro em 17 de janeiro de 2024. Com a liquidação do banco, o contrato foi encerrado; a Receita Federal registrou pagamentos da ordem de R$ 80 milhões entre 2024 e 2025.

Sem ‘lastro probatório mínimo’

Em dezembro de 2025, o próprio Paulo Gonet recusou abrir investigação sobre esse contrato. Ao arquivar representação do advogado Ênio Martins Murad, o procurador-geral afirmou que “não se vislumbra, a priori, qualquer ilicitude que justifique a intervenção desta instância” e que “refoge ao escopo de atuação” da PGR a ingerência em “negócios jurídicos firmados entre particulares, especialmente quando resguardados pela autonomia intrínseca à atividade liberal da advocacia”. Gonet também concluiu não haver “lastro probatório mínimo” para apurar suposta pressão de Moraes sobre o Banco Central.

O pedido atual de Mendonça recai sobre a mensagem em que Vorcaro fala em “proteção” de Gonet e Andrei, enviada a Moraes — no mesmo período em que o Master mantinha o contrato de R$ 129 milhões com o escritório da família do ministro, patrocinava o circuito de eventos em Londres do qual os três participaram e o PGR já havia recusado investigar o acordo advocatício por entender que nada havia de ilegal ou irregular. Com informações do Diário do Poder.

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