
O ex-banqueiro Daniel Vorcaro disse em depoimento à PF (Polícia Federal) que recebeu “algumas vezes” os servidores do Banco Central Belline Santana e Paulo Sérgio Neves em sua casa para tratar da instabilidade do banco Master e do processo de fusão com o BRB.
A fala foi na última sexta-feira (28), de dentro da Papudinha, no âmbito da investigação que apura pagamento de propina de Vorcaro aos então diretores de fiscalização e supervisão bancária do BC.
Na oitiva de quatro horas, o delegado Albert Servio de Moura pergunta se o ex-banqueiro recebeu os diretores em sua residência.
"Antes da pandemia, não. Depois da pandemia, com fechamentos e dificuldade de interação, falamos mais pelos meios eletrônicos e algumas oportunidades sim, a minha casa em Brasília servia como escritório”, disse conforme vídeo divulgado pelo Metrópoles e obtido na íntegra pela CNN.
A PF questiona quem mais participava das reuniões, se outras pessoas estavam juntas. Vorcaro disse que não se recorda. “Acredito que não, do Banco Central, pode ser que tenha, não me recordo”.
Em quais casas ocorreram as reuniões, primeiramente Vorcaro diz que Brasília, depois diz que também em São Paulo. “Uma em Brasília e algumas vezes em São Paulo”.
“As pautas eram relativas ao banco Master, as questões a serem realizadas para se resolver o problema de liquidez naquele momento”, disse.
A CNN entrou em contato com o Banco Central para uma manifestação sobre as falas de Vorcaro e não teve retorno. O espaço segue aberto.
Leia a seguir a transcrição dessa parte do depoimento:
- Delegado: o senhor recebeu os servidores Belline Santana e Paulo Sérgio Neves na sua casa?
- Vorcaro: antes da pandemia não. Depois da pandemia, fechamento e dificuldade de interação falamos mais pelos meios eletrônicos e algumas oportunidades sim. Minha casa em Brasília servia como escritório. Em Brasília e são Paulo
- Delegado: o que era tratado?
- Vorcaro: Pautas relativas ao banco Master, questão a serem realizadas para se resolver o problema de liquidez naquele momento
- Delegado: quem participava das reuniões? Mais alguém?
- Vorcaro: não me recordo. Acredito que não. Do Banco Central, pode ser que tenha, não me recordo.
Em são paulo mais de uma vez
- Delegado: porque o encontro não acontecia na sede do banco Master em São Paulo?
- Vorcaro: na época da pandemia eu passei a despachar no escritório residencial. Recebi muitas pessoas.
Os dois servidores foram afastados do cargo durante a terceira fase da operação Compliance Zero.
A decisão de “medidas cautelares diversas da prisão” apontou indícios de que eles atuavam “informalmente em favor dos interesses da instituição financeira [Master] submetida à supervisão da própria autarquia [BC]”, prestando “consultoria informal e contínua” a Vorcaro.
Em outro trecho do depoimento obtido pela CNN, a PF questiona se Vorcaro pagou propina aos servidores. O ex-banqueiro nega que eles tenham trabalhado ou feito consultoria pessoal a ele, mas não nega categoricamente vantagens financeiras. Confira:
- Delegado: o senhor providenciou pagamentos ou transferências de valores em espécie, imóveis ou benefícios de qualquer natureza aos dois servidores de 2020 a 2025?
- Vorcaro: esse caso eu gostaria de relatar de forma mais ampla se o senhor puder ouvir.
- Delegado: volto a pergunta inicial, houve?
- Vorcaro: diretamente não.
- Delegado: E por intermédio de alguém?
- Vorcaro: Não… na verdade, eu tenho conhecimento das operações que foram realizadas, por isso quero aprofundar mais sobre isso quando o senhor puder escutar.
O delegado encerrou o depoimento destacando que pode pedir novo depoimento a Vorcaro, mas não há previsão. Com informações da CNN.
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