
Ex-governador sai em defesa do seu legado e volta a negar que tenha deixado o estado quebrado para sua sucessora Raquel Lyra. Ele afirma ter entregado a gestão melhor do que recebeu do antecessor João Lyra.
O Banco do Nordeste fechou mais um semestre sob sua direção com balanço positivo. É um contraste com o discurso que vem sendo repetido pela governadora Raquel Lyra nos últimos quatro anos? Ela vive dizendo que encontrou o estado de Pernambuco quebrado…
Assim como no Banco do Nordeste, o nosso trabalho no governode Pernambuco foi de muita responsabilidade. Como é que se fala que o estado estava quebrado com
o salário dos servidores em dia, fornecedores pagos, menor taxa de endividamento e empréstimo pré aprovado com o aval da União de R$3,5 bilhões? E é bom lembrar o contexto que estávamos vivendo. Estados como Rio de Janeiro, Goiás, Minas Gerais, Rio Grande do Sul estavam todos com os salários dos servidores atrasados. Além disso, todo mundo sabe que ninguém consegue empréstimo estando no cadastro negativo e Pernambuco estava no Capag B, totalmente apto a fazer operações de crédito. Além disso, o TCE e a Alepe aprovaram as contas dos nossos oito anos de governo e atestou que finalizamos o mandato com disponibilidade financeira, ou seja, superávit de mais de R$ 4,25 bilhões. Um feito nunca antes registrado em Pernambuco. Isso está documentado e acessível a qualquerum. Não se trata de uma disputa de narrativa.
Para reforçar seu discurso, a governadora cita um estudo do Banco Mundial que colocou Pernambuco em último lugar do país em ambiente de negócios...
Esse estudo foi divulgado em junho de 2021 e descartado pelo próprio Banco Mundial em setembro do mesmo ano. O banco reconheceu que os dados e a metodlogia utilizados eram falhos. Tanto que esse relatório foi deixado delado e nunca mais repetido. Citarum documento desqualificado pela própria entidade que o fez é,no mínimo, má-fé.
A subida da governadora nas pesquisas reflete um sentimento da população de que o discurso classificando os 16 anos do PSB no poder como atraso de Pernambuco pegou?Até pela minha posição como presidente do Banco do Nordeste, eu não comento número de pesquisas de intenção de voto, mas oque vejo em Pernambuco é uma
eleição acirrada. É claro que a estratégia de quem está no poder é de tentar diminuir as realizações daoposição. Fico muito tranquilo com relação a isso. Rodei a região Nordeste nos últimos quatro anos e vejo o estado de Pernambuco comum conjunto de vantagens estratégicas estabelecidas ou consolidadas exatamente no período 2007-2022. A lista é grande, mas posso citar a Refinaria Abreu e Lima, uma fábrica de automóveis com toda a sua cadeia de fornecedores, um polo reconhecido no setor de bebidas e alimentos, um porto moderno e em expansão, polo de logística, mão-de obra qualificada e por aí, vai.
Qual foi a maior transformação que o PSB deixou em Pernambuco?
Sem dúvida o que fizemos na educação. Quando Eduardo assumiu, Pernambuco estava entre os piores estados brasileiros no rankingdo IDEB do ensino médio. Ele deu início a um trabalho que continuamos e o resultado é que na minha gestão Pernambuco se tornou a melhor educação pública no ensinomédio do Brasil. Universalizamos a escola em tempo integral, saímos de6 para 60 escolas técnicas, valorizamos os professores, construímos e recuperamos escolas e tornamos esse método referência nacional. A escola pública de Pernambuco na nossa gestão teve uma mudança de conceito. Estávamos entre os cam peões de evasão escolar e passamos a ser a rede com menor taxa de abandono. Exatamente porque nossas escolas passaram a ser atrativas para os jovens e isso se refletiu na nota do IDEB.
Especificamente sobre o setor da saúde, há um debate instalado a respeito do que a governadora tem feito e como ela encontrou a rede estadual...
Ela encontrou uma rede estadual com mais do que o dobro de leitos do que existia antes das gestões do PSB. Eduardo construiu três grandes hospitais na Região Metropolitana e um em Caruaru, além de nove Upas Especialidades. Eu construí o Hospital Eduardo Campos, em Serra Talhada, incorporei o Hospital Alfa à rede estadual, reabri o Hospital São Sebastião, em Caruaru e fiz mais cinco UPAEs. Agora imagine Pernambuco sem todas essas unidades que foram abertas nas gestões do PSB. Na pandemia, fizemos um amplo trabalho que resultou em Pernambuco ficar em entre os dois estados da Federação com as menores taxas de mortalidade no pior ano da Covid-19.E na segurança, a governadora tem comemorado a redução significativa dos homicídios com os menores números em mais de vinte anos. Como o senhor responde a isso?
Os números estaduais acompanham a realidade nacional, e Pernambuco continua, infelizmente, conforme Anuário da Segurança Pública de 2026, entre os cinco estados com maior MVI, igual a 2022. O Brasil, de forma geral, tem computado reduções seguidas nos últimos três anos, muito fruto de um contexto atual de redução do desemprego e do aumento do poder aquisitivo, que contribuem para a melhoria desse quadro. O que vejo nas discussões desse setor é uma tentativa de apagamento das ações realizadas nos anos anteriores, sem apresentar nada com consistência.
Divulgaram compras de armas e coletes e o uso dos bonés laranja pelos novos soldados da PM como se fosse a primeira vez na história de Pernambuco.E sobre investimentos? Pernambuco teria ficado estagnado segundo a
governadora...
Somente na nossa gestão mais de 400 empresas se instalaram ou ampliaram suas operações em Pernambuco. Posso citar gigantes como a Achē, Amazon, Yasaki, Benteler, Jeep, entre outras que escolheram Pernambuco como local estratégico
para seus negócios.
Por que o senhor acha que com esse conjunto de realizações o senhor saiu mal avaliado do governo?
Enfrentamos um contexto nacional e internacional muito difícil com PIB do Brasil negativo, pela primeira vez na história, por dois anos seguidos, instabilidade política, pandemia e também 16 anos de um mesmo grupo político no poder. Temos total consciência de que esse conjunto de fatores fez com que em 2022 houvesse um sentimento de mudança que deixou em segundo plano o que foi feito. Governar Pernambuco foi a maior honra da minha vida e me orgulho de, apesar de todo o cenário desfavorável, ter entregado o estado com muitos avanços e melhor do que recebi de João Lyra em 2014.
Entrevista realizada pela Folha de Pernambuco.
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