
O reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Alfredo Gomes, teceu duras críticas a propostas no setor educacional previstas nos planos de governo dos presidenciáveis Flávio Bolsonaro (PL) e Renan Santos (Missão), entre as quais a que transfere do Ministério da Educação para o da Ciência, Tecnologia e Inovação a responsabilidade pelas universidades públicas; e a que prevê a extinção da política de cotas em substituição a um modelo de bolsas de estudo baseado no mérito acadêmico.
De acordo com o acadêmico, caso venham a ser implementadas, as medidas poderão afetar a abertura de novos concursos públicos e o corte de investimentos em projetos de pesquisa e extensão. "Não são simples mudanças administrativas, são mudanças que irão retirar as universidades federais do centro das políticas educacionais do país", observou.
Segundo o reitor, é preciso observar as instituições de ensino superior como centros de formação profissional, científica, humana e cidadã. "E há algo ainda mais preocupante, porque essas propostas vêm acompanhadas de um 'tesouraço' nas despesas públicas a partir de um novo teto de gastos", alertou.
"As cotas tornaram as nossas universidades mais negras, mais indígenas, mais populares e parecidas com o Brasil, sem reduzir a excelência acadêmica. O que está em jogo, portanto, são duas concepções de universidade: de um lado, uma universidade menor e submetida a cortes, mais orientada pelas demandas imediatas do mercado e menos inclusiva; do outro, uma universidade pública forte, autônoma, diversa, democrática e comprometida com o desenvolvimento do Brasil. Defender as universidades é defender que o país continue avançando e não volte para trás", pontuou o reitor.
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