sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Menina relatou ameaças antes de ser morta; inquérito aponta motivação do crime

Menina relatou ameaças antes de ser morta; inquérito aponta motivação do crime

Um vídeo que circula nas redes sociais mostra que Evellyn Jasmin Machado Acácio, assassinada em junho de 2023, aos 8 anos, relatou ameaças contra ela e a mãe antes de ser sequestrada e morta em um sítio em Ravena, distrito de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. “É praticamente impossível viver aqui, trancada, sendo ameaçada”, desabafou a menina na gravação.

No vídeo, Evellyn pedia que as pessoas continuassem contribuindo com uma vaquinha para que ela e a mãe pudessem deixar a casa onde moravam e recomeçar a vida em outro local. “Para eu ter uma escola, para sair, para não ficar trancada dentro de casa, para minha mãe poder sair e me dar as coisas, poder fazer festa no meu aniversário”, relatou.

A gravação voltou a circular após novos desdobramentos judiciais relacionados ao assassinato da menina. Segundo a investigação da Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), Evellyn foi morta porque conhecia os homens que a sequestraram. A conclusão consta no inquérito policial que integra a denúncia oferecida pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

A denúncia foi recebida nessa quinta-feira (27/8) pela Vara Criminal da Comarca de Sabará, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Com o recebimento pela Justiça, os denunciados passam a responder formalmente ao processo criminal.

Relembre o caso
Evellyn foi sequestrada junto com a própria mãe, Ketlyn Oliveira, dentro de um salão de beleza em Sabará, em junho de 2023. A cabeleireira e amiga da genitora, Ana Raquel Brito, tentou impedir o sequestro e acabou sendo morta com um golpe de martelo na cabeça. O corpo da profissional foi encontrado por policiais militares dois dias após a morte, em um carro abandonado na BR-040, próximo ao Bairro Morada Nova, em Contagem, também na Grande BH.

Mãe e filha foram levadas. No percurso, a mãe da menina pulou do veículo para tentar fugir, mas foi perseguida e executada. Durante patrulhamento no Bairro Nações Unidas, os militares encontraram o corpo de Ketlyn caído no meio da via, com exposição de massa encefálica. A vítima portava maconha e o cartão do salão da outra vítima. Imagens de uma câmera de vigilância flagraram o momento em que a mãe de Evellyn é vista correndo no meio da rua. Ela é interceptada por um carro e, em seguida, disparos são feitos em sua direção.

Após isso, a criança foi levada para um sítio em Ravena, distrito de Sabará, onde foi mantida em cativeiro durante todo o dia. Ao final do dia, os dois suspeitos, sem conseguir contato com o pai dela e temendo ser reconhecidos caso a menina fosse libertada, resolveram matá-la. Evellyn conhecia os envolvidos. A criança foi levada para uma área de mata, onde ocorreu o assassinato, e o corpo foi desovado.

Envolvidos
O inquérito da PCMG apontou que o mandante do sequestro foi Sildirley Silva Acácio Machado, pai de Evellyn. A execução coube a Alex Lucas de Almeida e a Brayan Silva de Oliveira, que morreu no curso das investigações, em 2024. "Em razão da natureza dos fatos e da existência de vítima menor de idade, os autos tramitam sob segredo de justiça", comunicou o TJMG. Isso significa que depoimentos, laudos periciais e diligências investigativas não podem ser divulgados.

Há ainda uma quarta indiciada, Sheila Cerqueira Gonçalves, que emprestou o carro utilizado no crime. Ela, Sildirley e Alex Lucas tornaram-se réus e permanecem presos preventivamente. De acordo com o Tribunal de Justiça (TJMG), o processo tramitará pelo procedimento do Tribunal do Júri, competente para o julgamento dos crimes dolosos contra a vida e outros delitos. Também foi determinado que os acusados apresentem resposta à acusação, por escrito, no prazo legal de 10 dias.

Sildirley teria planejado o sequestro da mãe da menina para agredi-la e deixá-la cega. Conforme o delegado, a motivação seriam as postagens feitas por Katlyn nas redes sociais, que responsabilizavam o investigado pela morte do companheiro, em 2022.

O pai da menina acreditava que, se deixasse a mulher cega, ela pararia de denunciá-lo online, segundo as investigações. Meses antes, Sildirley já havia mandado quebrar as pernas da mulher e estuprá-la. Ele, então, determinou o sequestro de Katlyn. Cabe destacar que os crimes foram orquestrados por ele enquanto já estava preso em uma penitenciária de segurança máxima, no Norte de Minas.

O local do assassinato de Evellyn foi indicado por um dos suspeitos, que confessou o crime. Em julho deste ano, a PCMG fez buscas na região, mas o corpo da menina não foi localizado. No entanto, o inquérito policial confirmou a morte da criança. Com informações doi Correio Braziliense.

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