terça-feira, 25 de agosto de 2026

Justiça marca júri popular de Marcola 21 anos após homicídio de PM em SP

Justiça marca júri popular de Marcola 21 anos após homicídio de PM em SP

A Justiça de São Paulo marcou para os dias 11, 12 e 13 de maio de 2027 o júri popular de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola. O líder do PCC (Primeiro Comando da Capital) é acusado pelo homicídio consumado e tentado de policias militares em 12 de maio de 2006, em Jundiaí.

Há 20 anos, o estado de São Paulo enfrentava o episódio que ficou conhecido como Crimes de Maio, considerado como um dos mais graves da história da segurança pública. A ofensiva, atribuída ao PCC, e a reação das forças de segurança deixaram 564 mortos e 110 feridos em apenas nove dias.

Marco Willians é acusado de ter assassinado um policial militar durante os ataques ocorridos no dia 12 de maio, além de ter praticado um homicídio tentado –– quando a execução é iniciada, mas não se consuma por motivos alheios à vontade do autor.

O Ministério Público de São Paulo apresentou a denúncia contra os crimes em 4 de setembro de 2006 e, desse modo, o julgamento ocorrerá cerca de 21 anos após os fatos. Nesse meio tempo, os acusados foram pronunciados em 2009 e, em 2019, o processo foi transferido para julgamento em outra comarca, por razões de segurança.

Em 2023, segundo a defesa de Marcola, a própria Justiça de São Paulo reconheceu o excesso de prazo no julgamento desta ação penal. A prisão atualmente cumprida por Marco decorre de condenações proferidas em outros processos.

À CNN Brasil, Bruno Ferullo, responsável pela defesa do acusado, afirmou que o julgamento previsto para o ano que vem é incompatível com a garantias constitucionais.

Veja:

"A defesa considera que o prolongado decurso de tempo é incompatível com a garantia constitucional da razoável duração do processo, prevista no artigo 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal, comprometendo não apenas o direito do acusado a um julgamento tempestivo, mas também a própria produção e preservação da prova, especialmente diante dos efeitos que o tempo pode produzir sobre a memória das testemunhas e os elementos probatórios.

Marco Willians nega a autoria dos fatos que lhe são imputados e confia que, perante o Tribunal do Júri, poderá apresentar suas razões de defesa, com observância a todas as garantias do devido processo legal, valendo, até lá, a presunção de inocência."

Crimes de Maio
Como resposta à transferência de Marcola e outros líderes para Presidente Venceslau, no interior paulista, em 2006, o PCC ordenou um "salve geral" no dia 12 de maio, véspera do Dia das Mães. A ordem, transmitida por celulares de dentro das celas, deflagrou rebeliões simultâneas em 74 presídios do estado.

Além das transferências, relatórios investigativos, incluindo estudos da Universidade de Harvard, indicam que a violência foi também desencadeada por extorsões praticadas por policiais civis contra a facção, como o sequestro do enteado de Marcola por investigadores de Suzano, na Grande São Paulo, que exigiam R$ 300 mil de resgate.

Nas ruas, a facção iniciou ataques contra bases, viaturas e delegacias. O estado paralisou com o incêndio de ônibus e a interrupção do transporte público.

A ofensiva do crime organizado foi seguida por uma ação das forças de segurança, atingindo centenas de civis, muitos deles jovens sem antecedentes criminais que habitavam as periferias.

A escalada de terror resultou em 564 mortos em pouco mais de uma semana – 59 agentes públicos e 505 civis. No dia 14 de maio, após reuniões entre representantes do governo paulista e Marcola, os ataques e as rebeliões cessaram de forma coordenada. Com informações da CNN.

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