
A proposta para criação do Dia Municipal da Mestra Ritinha, apresentada na Câmara do Recife pela vereadora Jô Cavalcanti (PSol), na segunda-feira (17), continua a provocar debates acalorados tanto no Legislativo quanto nas redes sociais. Contrário à matéria, rejeitada pelos parlamentares por um placar de 12 votos a 8, o vereador Douglas Brito (Avante) classificou o texto como "lacração e busca por 'likes'".
A declaração gerou indignação e contribuiu para acirrar os ânimos. Parte dos apoiadores de Douglas criticou o posicionamento do vereador pela não aprovação do projeto e os termos usados para criticar a matéria.
"Não podemos misturar fé, ancestralidade e tradição com a lógica da lacração e da busca por 'likes', disse Douglas. "Que decepção. Conhece a história e o que ela [Mestra Ritinha] representa, mas é contra", apontou um seguidor. "Que triste, amigo. Não esperava de você tal voto", acrescentou o advogado Pedro Josephi.
Autora da proposta (PL 147/2026), a vereadora Jô Cavalcanti classificou o desfecho como racismo religioso. "Essa casa [a Câmara do Recife] mostrou que a gente vive em um país antidemocrático, onde as religiões de matriz africana, afro-indígena e da Jurema Sagrada, sofrem todo tipo de racismo", observou.
A Comissão de Direito e Liberdade Religiosa da Ordem dos Advogados do Brasil em Pernambuco (OAB-PE) criticou o tom do debate adotado por parlamentares contrários ao projeto. Ao se referir às declarações de Thiago Medina (PL), o presidente da comissão, Dantas Martorelli, disse que, ao taxar a proposição de "porcaria" e se referir à Mestra Ritinha como "mestra do cabaré", o parlamentar teria desrespeitado "milhares de pessoas que têm respeito por essa forma de compreensão".
"Uma insensibilidade que não deveria caracterizar um político, sobretudo alguém que ocupa um cargo de vereador", analisou o representante da OAB-PE.
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