terça-feira, 28 de julho de 2026

Partido Missão aciona STF para reconhecer avanço do crime organizado

Partido Missão aciona STF para reconhecer avanço do crime organizado

Partido Missão recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para pedir que a Corte reconheça um “estado de coisas inconstitucional” na segurança pública brasileira, sob o argumento de que o avanço das facções criminosas compromete a soberania do Estado e impede o exercício de direitos fundamentais em diversas regiões do país.

A legenda protocolou uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) na qual sustenta que organizações criminosas passaram a exercer, em determinados territórios, funções típicas do poder público, diante da incapacidade do Estado de garantir segurança, aplicar a lei e assegurar direitos à população.

Segundo a ação, a omissão do poder público resultou em violações à soberania nacional e aos direitos à vida, à liberdade, à segurança e à propriedade previstos na Constituição.

Ao anunciar a iniciativa, o presidente do partido, Renan Santos, afirmou que o pedido se inspira em precedente do próprio STF, que reconheceu um estado de coisas inconstitucionais no sistema penitenciário brasileiro.

“Se há um estado de coisas inconstitucional acontecendo no Brasil, é o fato de partes importantes do nosso território não estarem sob comando do Estado brasileiro, mas sim de organizações criminosas”, afirmou.

A petição cita estimativas de que cerca de 50 milhões de brasileiros vivem em áreas sob influência de facções criminosas. Segundo o partido, esses grupos ampliaram sua atuação para além do tráfico de drogas, passando a exercer influência sobre atividades econômicas, contratos públicos e estruturas do Estado.

O documento é assinado pelo deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP), que atua como advogado da legenda na ação.

Plano nacional

Além do reconhecimento do quadro de inconstitucionalidade, o Partido Missão solicita que o STF determine medidas imediatas para enfrentar o crime organizado.

Em caráter liminar, a legenda pede que União, estados e Distrito Federal apresentem um plano para retomada dos territórios controlados por facções e adotem ações para isolar lideranças criminosas nos presídios federais.

No julgamento do mérito, o partido solicita que o Supremo obrigue os entes federativos a coordenarem uma política nacional de combate às organizações criminosas.

Entre as medidas propostas estão a criação de um banco de dados unificado sobre presos, o compartilhamento de informações de inteligência entre as forças de segurança, a integração operacional entre União, estados e Distrito Federal e a fixação de metas legais para a segurança pública, com responsabilização de gestores pelo eventual descumprimento.

Na avaliação da legenda, as iniciativas adotadas até agora foram insuficientes para restabelecer de forma permanente a presença do Estado nas áreas dominadas pelo crime organizado. Com informações de O Antagonista.

Nenhum comentário:

Postar um comentário