
Para deputado estadual, governadora Raquel Lyra não conseguiu criar uma política estruturada e eficiente para a segurança, especialmente no combate às facções e ao crime organizado.
Divulgado nesta quinta-feira (23), o Anuário Brasileiro de Segurança Pública pinta um cenário crítico para Pernambuco. Em números absolutos, o estado é o terceiro mais violento do Brasil, com 2.970 homicídios em 2025, atrás apenas da Bahia e do Ceará.
A atual taxa de 33 mortes violentas por grupo de 100 mil habitantes segue superando, e muito, a média nacional de 19,1 - e ainda longe da marca menor de 10 prevista como “minimamente aceitável” pela OMS. A taxa de aumento de feminicídios, segundo o estudo, é três vezes maior que a nacional: enquanto no Brasil o aumento foi de 4%, em Pernambuco foi de 12,5%.
Pernambuco também é destaque negativo no quesito roubo de veículos. Enquanto o Brasil registrou uma redução de mais de 20% nessa modalidade, o estado andou na contramão e teve um aumento de 0,8%, atingindo a segunda maior taxa do país (299,3 por 100 mil habitantes) - quase quatro vezes a média nacional. Além disso, a criminalidade urbana se manifesta fortemente no furto e roubo de celulares, com Olinda ocupando a 8ª posição no ranking nacional de municípios com as maiores taxas deste crime.
O documento também destaca um avanço preocupante na letalidade policial, que cresceu 32,1% entre 2024 e 2025, passando de 78 para 103 mortes. Esse índice é o maior crescimento registrado em todo o Nordeste e é 5,4 vezes superior à média nacional de aumento para o mesmo período. Atualmente, a taxa de mortes por intervenção policial em Pernambuco é 2,2 vezes maior que a média da região Nordeste.
“Em um governo sem marca e sem rumo, a crise assume as mais variadas faces. Penando com tetos caindo na saúde, correndo para maquiar o que pode, sem atrair investimentos e batendo recorde de gastos com shows e cachês, o governo Raquel Lyra também não disse a que veio na segurança pública - considerada a maior preocupação da população”, afirma o deputado estadual Diogo Moraes (PSB).
A complexidade da violência no estado é agravada pela atuação do crime organizado. O Porto de Suape foi identificado pela pesquisa como um ponto estratégico no corredor logístico para o tráfico internacional de cocaína, atraindo a disputa entre grandes facções como o PCC e o Comando Vermelho.
“Essa presença do crime organizado não apenas impulsiona a mortalidade, mas também é uuma ameaça direta à economia local, pois eleva custos, afasta investimentos e compromete a competitividade do complexo. E a gente não consegue ver qualquer ação minimamente coordenada no sentido de combater esses grupos”, explica…
“A política de segurança de Raquel Lyra é apenas colocar policiais militares em bairros mais abastados e desfilar com viaturas pelas ruas e helicópteros no céu. É um espetáculo grotesco e que mostra toda falta de planejamento dessa gestão. Um governo sério e comprometido teria feito - como Eduardo Campos com o Pacto pela Vida - um programa estruturado, com monitoramento constante. A governadora demorou praticamente um ano para ir à primeira reunião de segurança pública. E sabe-se lá se ela foi para outras”, diz o deputado.
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