quinta-feira, 16 de julho de 2026

Alckmin diz que governo terá programa de apoio para afetados pelo tarifaço dos EUA

Alckmin diz que governo terá programa de apoio para afetados pelo tarifaço dos EUA

O vice-presidente, Geraldo Alckmin, disse em em reunião em Brasília nesta quinta-feira (16) que o governo vai criar um novo programa de apoio aos afetados pelo tarifaço imposto pelos EUA. “Contra os que sabotam o Brasil lá fora, o governo Lula trabalha para apoiar aqui dentro quem ajuda o Brasil a crescer e a nossa economia. Teremos um programa de apoio para quem trabalha e tiver problemas“, disse o Alckmin.

Segundo o vice-presidente, mesmo com todas as questões que envolvem o tarifaço, o Brasil bate recorde de exportações. “No ano passado, o Brasil fez US$ 347,8 bilhões, foi recorde. Este ano, só no primeiro semestre, um novo recorde: foram US$ 184,8 bilhões”.

“O Brasil abriu novos mercados e diversificou. Com o empenho do Lula, fizemos o acordo Mercosul, Singapura e Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA) e Mercosul-União Europeia. O Brasil defende o livre mercado com regras da Organização Mundial de Saúde (OMS) e multirateralismo”, explicou Alckmin.

Em relação à lei da reciprocidade, ele afirmou que ela está à disposição do governo para ser usada. “Temos uma lei, reciprocidade, que foi aprovada por unanimidade no Congresos Nacional e que o governo, no momento adequado, vai aplicar”, finaliza.

Tarifa de 25%
Na madrugada desta quinta, os Estados Unidos anunciaram a tarifa adicional de 25% a diversos produtos brasileiros. Entretanto, foram excluídos da lista o etanol, a carne bovina e o café.

A aplicação de sobretaxa foi tomada sob a autoridade da Seção 301. Em conversa por telefone com jornalistas, o chefe do USTR, Jamierson Greer, disse que a investigação concluiu que o Brasil adotou uma série de medidas consideradas injustas aos interesses norte-americanos.

Entre os principais problemas indicados pelos Estados Unidos estão:

Ordens judiciais sigilosas que obrigaram empresas de tecnologia norte-americanas a remover conteúdos políticos, inclusive de um presidente;
Multas diárias elevadas e ameaças de interrupção total das operações das plataformas no Brasil;
Favorecimento ao sistema Pix, tratado como “campeão nacional” do Banco Central, gerando desvantagem competitiva para empresas norte-americanas de pagamentos;
Concessão de tarifas preferenciais para Índia e México, sem reciprocidade aos produtos norte-americanos;
Falhas no combate à corrupção;
Impactos do desmatamento ilegal que prejudicam produtores agrícolas dos Estados Unidos.
Greer sinalizou dificuldades nas tratativas com o Brasil. “Estamos tentando há mais de um ano negociar com o governo brasileiro. Fizemos diversas ofertas e apresentamos diversas propostas, mas não obtivemos resposta satisfatória”, declarou.

O chefe do USTR chamou a postura brasileira de “excesso de declaração de intenção”. Segundo Greer, o Brasil se colocou à disposição para discutir todos os temas, mas que, para o governo norte-americano, não representava “uma concessão”.

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