
Recife (PE), 12 de junho de 2026 - O Nordeste se destaca no crescimento das exportações de carne bovina no País. No primeiro trimestre deste ano, os embarques cresceram 51,38% na comparação com o mesmo período do ano passado. De janeiro a março, foram embarcadas 9,4 mil toneladas.
O desempenho da região superou os 17% de crescimento nacional. Nos três primeiros meses do ano, as exportações estimadas nacionais superaram 4,28 milhões de toneladas, representando 34,6% da produção nacional.
O abate no Nordeste também cresceu 2,96% em relação a 2025, refletindo a expansão de sistemas semi-intensivos e intensivos, ao maior uso de tecnologia e integração com regiões produtoras de grãos.
Os dados foram analisados pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), área do Banco do Nordeste (BNB), que indicou que o desempenho expressivo se dá em volume e faturamento, com ampliação do número de destinos e o forte avanço de estados como Pernambuco (+124%), Bahia (+65%), Maranhão (+30%), e Ceará (+42%), impulsionado pela habilitação de plantas frigoríficas e melhorias sanitárias.
De acordo com estudo recente do Etene, de autoria de Kamilla Ribas Soares, a cadeia da carne bovina no Brasil atravessa, desde 2025, uma fase de transição associada à reversão do ciclo pecuário, caracterizada pela retenção de fêmeas, redução gradual da oferta e valorização dos preços do boi gordo e da reposição.
A pesquisadora analisa que, no mercado externo, apesar do desempenho recente das exportações, o ambiente é desafiador, devido aos conflitos geopolíticos, instabilidades logísticas e à adoção de tarifas e cotas de importadores, reforçando a necessidade de diversificação de mercados e agregação de valor aos produtos.
Perspectivas
O estudo do Etene indica, ainda, que o Brasil deverá liderar o ranking como maior produtor mundial, com 20% da produção global, atingindo 12,4 milhões de toneladas em 2026 – apesar de representar uma retração de quase 2% em relação a 2025, refletindo queda no abate de bovinos, em função da reversão no ciclo pecuário.
O Banco do Nordeste exerce papel fundamental para alavancar as políticas de desenvolvimento para o agronegócio e agricultura familiar, na sua área de atuação. No acumulado de 2020 a março de 2026, o Banco investiu, quase R$ 26 bilhões na bovinocultura de corte, com recursos provenientes do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE). O ano de 2025 registrou destaque com aplicação em torno de R$ 6 bilhões, sendo 61% dos investimentos no Semiárido.
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