Vamos tratar de uma preocupação que não é apenas de Santa Cruz do Capibaribe, de Toritama ou de Caruaru. É uma preocupação de Pernambuco e do Brasil produtivo. É uma preocupação das milhares de pessoas que costuram, cortam, bordam, vendem, transportam, empreendem e sustentam suas famílias com o trabalho honesto no setor têxtil.
Nos últimos dias, o ex-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Santa Cruz do Capibaribe, o senhor Bruno Bezerra, fez um alerta público sobre dois movimentos que, se não forem tratados com equilíbrio, podem atingir em cheio o nosso Polo de Confecções do Agreste.
De um lado, discute-se a possibilidade de reduzirem, ou até mesmo acabarem, com a chamada “taxa da blusinha” – um imposto federal de 20% que incide sobre compras internacionais de até cinquenta dólares.
Esse imposto incide sobre grande parte das roupas adquiridas pela internet, muitas de origem chinesa.
O assunto precisa ser discutido com muita responsabilidade, até porque não estamos falando apenas de compras individuais.
Estamos falando de algo que impacta diretamente a indústria nacional em geral e o nosso Polo de Confecções, em particular.
Afinal de contas, o pequeno, médio ou grande empresário da indústria têxtil do Agreste paga imposto, gera emprego, compra máquina, contrata costureira, movimenta o comércio, paga frete, paga energia e sustenta a economia de toda uma região aqui do estado.
Portanto, não é justo permitir que roupas prontas entrem no país em condições mais vantajosas, competindo de forma desigual com quem produz e gera emprego e renda aqui.
E exatamente aí que reside a contradição que precisamos enfrentar.
O Governo Federal precisa compreender que não faz sentido algum facilitar a entrada de roupas prontas importadas e, ao mesmo tempo, encarecer vários tipos de insumos que as confecções brasileiras precisam importar para continuar produzindo.
Nesse jogo de empurra-empurra, quem fica espremido é o pequeno confeccionista, é o comerciante, é a costureira, é a família que vive da moda pernambucana.
Ou seja: o mais prejudicado é justamente quem mais trabalha, quem mais empreende, quem mais gera emprego e movimenta a economia real do nosso país.
Até porque, quando falamos do Polo de Confecções do Agreste, estamos falando de uma potência econômica não apenas a nível regional ou estadual, mas de destaque nacional.
Em 2025, somente Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama faturaram cerca de R$ 19 bilhões.
Além disso, juntas, essas três cidades arrecadaram mais de R$ 1,1 bilhão em ICMS para Pernambuco no ano passado.
Os números de 2026 também confirmam essa pujança: apenas entre janeiro e março, Caruaru, Santa Cruz do Capibaribe e Toritama somaram mais de R$ 272 milhões em ICMS.
Portanto, nós, enquanto representantes da região, precisamos nos posicionar diante de uma ameaça como essa.
Somos contra uma política que favorece o produto pronto estrangeiro, ao mesmo tempo em que aumenta o custo de quem produz em nosso país.
Minhas amigas e meus amigos, defender o Brasil de verdade exige coerência.
Não podemos asfixiar o setor produtivo.
É preciso combater a concorrência predatória sem penalizar quem depende de insumos importados, uma vez que o mercado interno ainda não atende plenamente à demanda existente.
Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru vestem o Brasil. E quem veste o Brasil merece respeito e consideração.
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