quinta-feira, 7 de maio de 2026

Alepe discute riscos sanitários e econômicos da importação de tilápia do Vietnã

A Assembleia Legislativa do Estado de Pernambuco (Alepe) realizou, nesta tarde (quinta, dia 7), uma audiência pública para debater os riscos sanitários e os impactos econômicos da importação de tilápia do Vietnã. O encontro será realizado no Auditório Sérgio Guerra, na sede do Legislativo estadual. “Essa concorrência desleal compromete toda a cadeia produtiva não só de Pernambuco. Hoje a criação de Tilápia supera em muitos locais criações tradicionais como de ovinos e caprinos, por exemplo”, explica Romero Magalhães, representante dos produtores de Tilápia. “Existe também a preocupação sanitária que hoje o nosso setor atende aos mais altos níveis de certificações e selos de qualidade para o produto que entregamos para o consumidor”, completou Geraldo Consentino, representante das industrias do setor.


A iniciativa foi da Comissão de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (CAPDR), por sugestão da deputada estadual, Debora Almeida e reuniu produtores, empresários, especialistas e representantes do setor aquícola, além do público em geral, para discutir os efeitos da entrada do pescado estrangeiro no mercado local. “Essa importação acendeu um alerta para todos nós, tanto no risco sanitário como econômico para o nosso mercado produto”, alertou o deputado Luciano Duque, presidente da Comissão. 


O debate ocorreu em um momento de preocupação crescente no setor. Pernambuco é hoje o maior produtor de tilápia do Nordeste e ocupa posição de destaque no cenário nacional, com uma produção anual de cerca de 31,7 mil toneladas e movimentação econômica estimada em R$ 415 milhões. A cadeia produtiva tem papel relevante na geração de emprego e renda em diversas regiões do estado.


Ao mesmo tempo, o avanço da tilápia importada tem acendido um alerta entre produtores. Apenas no início de 2026, o Brasil registrou a entrada de cerca de 1,6 mil toneladas do pescado vietnamita, com volumes mensais que já superam as exportações nacionais. O produto chega ao mercado brasileiro com preços mais baixos, o que pressiona a competitividade da produção local e levanta preocupações sobre possíveis impactos na sustentabilidade do setor.


Além da questão econômica, especialistas também apontam riscos sanitários. Há preocupação com a eventual introdução de doenças inexistentes no país, como o vírus da tilápia (TiLV), bem como com diferenças nos protocolos de controle sanitário entre os países exportadores e o Brasil. Esses fatores podem representar ameaças à produção aquícola nacional, caso não haja fiscalização rigorosa. “Estamos unidos para reforçar a fiscalização e implementar medidas restritivas quanto ao transporte e comercialização do produto dentro do nosso Estado. ”, destacou Moshe Dayan, presidente da Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária do Estado de Pernambuco (Adagro).


“A audiência pública é sempre um espaço estratégico para ampliar o diálogo entre o poder público e os diversos elos da cadeia produtiva. Temos uma preocupação de garantir a parte econômica e também a saúde das pessoas que irão consumir esse pescado. A expectativa é que o encontro contribua para a construção de medidas que garantam a proteção sanitária, a competitividade e o desenvolvimento sustentável da piscicultura em Pernambuco”, ressalta a deputada estadual, Debora Almeida (PSD), autora do requerimento solicitando a audiência.

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