quarta-feira, 25 de março de 2026

O medo da comparação: Viviane Facundes denuncia sofrer agressões verbais de vereadores de oposição durante trabalho em obra de Gravatá

Secretária de Obras de Gravatá afirma ter sido insultada por parlamentares da oposição enquanto exercia função institucional; caso reacende debate sobre violência política, comparação e machismo

Há cenas que, de tão simbólicas, dispensam maiores explicações. Esta é uma delas. Viviane Facundes, secretária de Obras de Gravatá, estava onde deveria estar: na rua, acompanhando as obras. Nada de gabinete, nada de discurso ensaiado. Eis que surgem dois vereadores. Não para fiscalizar, nem para apontar soluções ou contribuir. Surgiram para produzir conteúdo, e um conteúdo, nesse caso, de ataque.

Pouco depois, como num roteiro repetido à exaustão, as redes sociais viraram palco: críticas genéricas, insinuações e tentativas de desqualificação. Não há laudo, não há dado, não há fundamento. Há narrativa. E narrativa sem realidade é apenas barulho.

Mas convém separar as motivações. De um lado, Aldo La Massa. Sua atuação se confunde com a de integrante de um conhecido programa de rádio da região que opera de modo peculiar: elevam ou destroem reputações conforme conveniências. Um verdadeiro negócio de influência, em que o debate público vira instrumento e a opinião vira moeda. O modus operandi é conhecido: tensionar, amplificar e desgastar. Resolver o problema? Não é exatamente a prioridade.

Do outro lado, Ricardo Malta. Aqui a coisa ganha contornos mais didáticos. Ex-secretário da mesma pasta, ele carrega um problema clássico: a comparação. E a comparação, como se sabe, é implacável. Viviane Facundes, ao sucedê-lo, não apenas deu continuidade ao trabalho, ela o elevou. Fez mais, fez melhor e em menos tempo. Isso não é opinião; é fato.

Mas não para por aí. Há também o componente político-eleitoral. Ricardo atua em sintonia com um grupo estadual que vê, em uma eventual candidatura de Viviane Facundes à Assembleia Legislativa, um obstáculo concreto: ela tiraria votos de um certo deputado que, já desgastado, dificilmente se elegeria sem o apoio do prefeito de Gravatá. Assim, o ataque virou estratégia de sobrevivência.

E aqui entra a grande ironia: antes da política, Ricardo era gerente da Compesa. E o que o gravataense recorda dessa época não é exatamente a eficiência hídrica. Ao contrário: recorda-se de um tempo em que a falta d’água era rotina e o povo sofria com a sede.

Coube justamente a Viviane fazer o que não foi feito por quem teve a caneta na mão. Junto ao prefeito Padre Joselito, com articulação direta à governadora Raquel Lyra, ela viabilizou a chegada das águas do Rio São Francisco a Gravatá. Água de verdade, da que chega na torneira e resolve a vida, não da que vira promessa vazia em palanque.

Mas há um ponto em comum nessa história que é o mais incômodo. Entre todas as secretarias, a mais atacada é justamente aquela que sempre foi ocupada por homens e hoje é comandada por uma mulher. Coincidência? Difícil sustentar. O padrão revela algo mais profundo: a tentativa reiterada de tutelar, de desqualificar e de ditar como ela deve agir. É o velho vício travestido de fiscalização, o machismo que não se assume, mas se pratica.

É preciso dizer sem rodeios: isso ultrapassa a política e entra no campo da violência simbólica. Repetir ataques e tentar fragilizar publicamente uma mulher em posição de liderança não é controle institucional, é pressão. É tentativa de enquadramento. É, no limite, violência psicológica.

Se fosse uma gestora fraca, talvez sucumbisse. Talvez recuasse ou aceitasse o papel de quem se deixa tutelar. Mas não é o caso.

O que se vê, portanto, não é fiscalização. É outra coisa.

De um lado, quem trabalha e entrega, quase cem ruas, obras estruturantes e equipamentos públicos recuperados. De outro, quem, incapaz de competir no terreno da eficiência, prefere o atalho da agressão.

No fim, a pergunta permanece, incômoda como deve ser: isso é zelo com o interesse público ou é medo da comparação?

Porque, no fundo, o que parece incomodar não é a obra. É quem a está fazendo.

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