quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Jaboatão recebe 9ª edição da campanha #AprenderParaPrevenir e mobiliza 120 educadores para atuar na prevenção de desastres

As mudanças climáticas deixaram de ser um alerta distante para se tornarem uma realidade sentida em diversas partes do mundo. Chuvas mais intensas, períodos de seca prolongados, deslizamentos e alagamentos têm impactado cidades inteiras — especialmente aquelas com territórios socialmente vulneráveis. A prevenção se tornou política pública permanente no Jaboatão dos Guararapes, pelo  histórico convívio com áreas de risco. É nesse contexto que a cidade recebeu, nesta quarta-feira (11), a 9ª edição da Campanha Nacional #AprenderParaPrevenir – Cidades Sem Risco.

A iniciativa é coordenada pelo Ministério das Cidades (MCID), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Ministério da Educação (MEC), em parceria com a Secretaria Nacional de Periferias e o Programa Cemaden Educação. A ação integra o Programa Periferia Viva – Novo PAC e fortalece estratégias de educação climática e redução de riscos socioambientais em territórios vulneráveis.

No Jaboatão, cerca de 120 professores e supervisores da rede municipal participaram de formação realizada no auditório da UNIFG. O objetivo é capacitar os educadores para trabalhar, em sala de aula, temas como prevenção de desastres, mudanças climáticas, justiça climática e cultura de proteção e defesa civil.
Com aproximadamente 73 mil alunos na rede municipal e uma população estimada em 680 mil habitantes, Jaboatão reconhece na escola um instrumento estratégico de capilaridade social. Segundo dados apresentados durante o encontro, cerca de 180 mil pessoas vivem em áreas de risco no município, o que reforça a necessidade de políticas integradas de prevenção.

Durante a agenda institucional, que reuniu representantes do Governo Federal e secretarias municipais, o prefeito destacou que prevenção não é apenas obra de infraestrutura, mas também trabalho de conscientização. “Salvar vidas passa por antecipar problemas. Nós investimos anualmente mais de R$ 30 milhões em ações preventivas, como limpeza de canais e galerias, além de obras estruturais que contam com recursos federais e estaduais. Mas nenhuma política pública é suficiente se não houver consciência coletiva. Por isso, a escola é necessária. São mais de 73 mil alunos que podem se tornar agentes multiplicadores dentro das suas comunidades. A prevenção começa na educação e se transforma em proteção para toda a cidade”, afirmou.

O prefeito também relembrou as lições deixadas pelas chuvas de 2022. “Aprendemos com a dor. Aquilo foi uma tragédia que nenhum município estava preparado para enfrentar. Mas nós nos estruturamos, fortalecemos parcerias e ampliamos a integração entre as secretarias. Hoje, essa campanha é reflexo desse aprendizado. Prevenção é trabalho coletivo, é dividir responsabilidade e construir consciência”, completou.

A coordenadora do Programa Cemaden Educação, Rachel Trajber, destacou que o aumento da frequência e intensidade dos desastres exige mobilização nacional e participação ativa dos municípios. “Estamos vivendo uma emergência climática. Os desastres não são apenas naturais, são socioambientais, o que significa que podem ser prevenidos. A campanha é uma ‘campanha de campanhas’. Queremos que o conhecimento produzido nas escolas saia dos muros e alcance as comunidades. Jaboatão participa, desde 2017, e agora queremos ampliar esse movimento, envolvendo não só escolas, mas a saúde, meio ambiente e defesa civil. A mudança é coletiva”, explicou.  Rachel também reforçou o conceito de justiça climática. “Quem menos contribui para as mudanças do clima é quem mais sofre suas consequências. Não se trata de culpar quem mora em áreas de risco, mas de garantir direito à moradia digna e informação para que as pessoas possam agir coletivamente.”

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