As mudanças climáticas deixaram de ser um alerta distante para se tornarem uma realidade sentida em diversas partes do mundo. Chuvas mais intensas, períodos de seca prolongados, deslizamentos e alagamentos têm impactado cidades inteiras — especialmente aquelas com territórios socialmente vulneráveis. A prevenção se tornou política pública permanente no Jaboatão dos Guararapes, pelo histórico convívio com áreas de risco. É nesse contexto que a cidade recebeu, nesta quarta-feira (11), a 9ª edição da Campanha Nacional #AprenderParaPrevenir – Cidades Sem Risco.
A iniciativa é coordenada pelo Ministério das Cidades (MCID), Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e Ministério da Educação (MEC), em parceria com a Secretaria Nacional de Periferias e o Programa Cemaden Educação. A ação integra o Programa Periferia Viva – Novo PAC e fortalece estratégias de educação climática e redução de riscos socioambientais em territórios vulneráveis.
No Jaboatão, cerca de 120 professores e supervisores da rede municipal participaram de formação realizada no auditório da UNIFG. O objetivo é capacitar os educadores para trabalhar, em sala de aula, temas como prevenção de desastres, mudanças climáticas, justiça climática e cultura de proteção e defesa civil.
Com aproximadamente 73 mil alunos na rede municipal e uma população estimada em 680 mil habitantes, Jaboatão reconhece na escola um instrumento estratégico de capilaridade social. Segundo dados apresentados durante o encontro, cerca de 180 mil pessoas vivem em áreas de risco no município, o que reforça a necessidade de políticas integradas de prevenção.
Durante a agenda institucional, que reuniu representantes do Governo Federal e secretarias municipais, o prefeito destacou que prevenção não é apenas obra de infraestrutura, mas também trabalho de conscientização. “Salvar vidas passa por antecipar problemas. Nós investimos anualmente mais de R$ 30 milhões em ações preventivas, como limpeza de canais e galerias, além de obras estruturais que contam com recursos federais e estaduais. Mas nenhuma política pública é suficiente se não houver consciência coletiva. Por isso, a escola é necessária. São mais de 73 mil alunos que podem se tornar agentes multiplicadores dentro das suas comunidades. A prevenção começa na educação e se transforma em proteção para toda a cidade”, afirmou.
O prefeito também relembrou as lições deixadas pelas chuvas de 2022. “Aprendemos com a dor. Aquilo foi uma tragédia que nenhum município estava preparado para enfrentar. Mas nós nos estruturamos, fortalecemos parcerias e ampliamos a integração entre as secretarias. Hoje, essa campanha é reflexo desse aprendizado. Prevenção é trabalho coletivo, é dividir responsabilidade e construir consciência”, completou.
A coordenadora do Programa Cemaden Educação, Rachel Trajber, destacou que o aumento da frequência e intensidade dos desastres exige mobilização nacional e participação ativa dos municípios. “Estamos vivendo uma emergência climática. Os desastres não são apenas naturais, são socioambientais, o que significa que podem ser prevenidos. A campanha é uma ‘campanha de campanhas’. Queremos que o conhecimento produzido nas escolas saia dos muros e alcance as comunidades. Jaboatão participa, desde 2017, e agora queremos ampliar esse movimento, envolvendo não só escolas, mas a saúde, meio ambiente e defesa civil. A mudança é coletiva”, explicou. Rachel também reforçou o conceito de justiça climática. “Quem menos contribui para as mudanças do clima é quem mais sofre suas consequências. Não se trata de culpar quem mora em áreas de risco, mas de garantir direito à moradia digna e informação para que as pessoas possam agir coletivamente.”
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