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quinta-feira, 24 de setembro de 2026

País corre risco de nacionalizar a cultura da milícia com eleição de Flávio Bolsonaro, afirma Mercadante

País corre risco de nacionalizar a cultura da milícia com eleição de Flávio Bolsonaro, afirma Mercadante

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, alertou nessa quarta-feira, 23 de setembro, durante a 5ª edição da J.Safra Investment Conference, em São Paulo (SP), para os riscos do avanço da influência do crime organizado na política brasileira. Ao abordar a situação do Rio de Janeiro e a disputa presidencial, Mercadante associou a possibilidade de eleição do senador Flávio Bolsonaro (PL) ao risco de disseminação, em outras regiões do país, de uma cultura política que, segundo ele, se desenvolveu em meio à atuação de milícias e outras organizações criminosas no estado.

“Tem gente que se formou nessa cultura da milícia, nessa cultura do crime, que apoiou ali seis governadores que foram afastados. Vamos trazer essa cultura para os corações do Brasil?”, questionou Mercadante, que ressaltou que o Rio de Janeiro enfrenta um “problema político seríssimo” relacionado à atuação de organizações criminosas.

“O Rio tem coisas encantadoras, aquelas montanhas, aquelas praias, aquela cultura, o jeito do carioca, a música, o talento, é uma coisa espetacular. Mas tem um problema político seríssimo, que é o crime organizado, é a milícia, é o tráfico, é o jogo do bicho, que é uma coisa que está infiltrada no Estado”, disse.

“Mexicanizar o Brasil”

Ao tratar da disputa presidencial, Mercadante afirmou que teme que a experiência do Rio de Janeiro seja reproduzida em outras partes do país. “Eu vou mexicanizar? O risco de mexicanizar o Brasil?”, questionou, numa referência ao risco de expansão da influência de organizações criminosas sobre estruturas do Estado.

A declaração ocorre em um momento em que a Justiça Eleitoral fluminense vem adotando medidas contra candidaturas que considera relacionadas a organizações criminosas. O TRE-RJ informou neste mês ter indeferido 15 registros de candidatura por indícios de vínculos criminosos. Segundo o tribunal, parte dos casos envolve suspeitas de ligação com milícias e parte se enquadra na chamada “milícia de gravata”, expressão utilizada para organizações criminosas voltadas à prática de crimes contra a administração pública.

“Seis governadores foram afastados”

No evento, ele citou ainda o histórico recente de crises políticas no Rio de Janeiro e lembrou que seis governadores foram afastados. E disse que sua preocupação é que práticas e relações políticas associadas ao crime organizado deixem de ser um problema localizado e passem a influenciar outras regiões do país. “Tem gente que se formou nessa cultura da milícia, nessa cultura do crime (…) vamos trazer essa cultura para os corações do Brasil”, afirmou.

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